Como o vento que anuncia a chuva das 2 da tarde na minha
Belém; como o aroma de café quentinho embelezando o ar de manhã cedo; como o
perfume que vem não sei de onde e desnorteia a gente; como o laranja de muitos
tons que invade o pôr do sol – e ele gosta de pôr do sol; como a expectativa
que se cria antes de ganhar um presente; como o aconchego de um abraço de urso;
como o olhar observador; como o beijo que jamais se sentiu igual; como a
sensação de deitar na grama e se perder contando estrelas; como o gosto pelas
coisas antigas; como a leveza de ser, sem precisar ter. Como um livro, daqueles
tão saborosos que você enrola dia após dia só pra não ter que terminar, pra
poder degustar cada vírgula um pouco mais amanhã e depois e depois... Mas, como
os livros, ele também é passageiro. Passageiro da vida. Passageiro na vida.
Passa. Vem e te faz virar criminoso por querer roubar lascas do cheiro, do sorriso,
do abraço, do beijo, da essência. Em seguida te segura firme e faz se comportar
com um aviso: eu volto.
