quinta-feira, 5 de março de 2015

Forasteiro



Como o vento que anuncia a chuva das 2 da tarde na minha Belém; como o aroma de café quentinho embelezando o ar de manhã cedo; como o perfume que vem não sei de onde e desnorteia a gente; como o laranja de muitos tons que invade o pôr do sol – e ele gosta de pôr do sol; como a expectativa que se cria antes de ganhar um presente; como o aconchego de um abraço de urso; como o olhar observador; como o beijo que jamais se sentiu igual; como a sensação de deitar na grama e se perder contando estrelas; como o gosto pelas coisas antigas; como a leveza de ser, sem precisar ter. Como um livro, daqueles tão saborosos que você enrola dia após dia só pra não ter que terminar, pra poder degustar cada vírgula um pouco mais amanhã e depois e depois... Mas, como os livros, ele também é passageiro. Passageiro da vida. Passageiro na vida. Passa. Vem e te faz virar criminoso por querer roubar lascas do cheiro, do sorriso, do abraço, do beijo, da essência. Em seguida te segura firme e faz se comportar com um aviso: eu volto.