sexta-feira, 18 de abril de 2014

Prefácio

Ele chegou de repente e invadiu todas as portas do meu coração. Me conheceu e reconheceu, me sentiu e me descreveu como ninguém jamais o fez.

E, como bom observador que é, ele escreveu o prefácio da minha vida...

"Alana é o sorriso de uma criança ao ganhar um algodão doce na primeira ida ao circo, é o olhar de uma criança ao entrar pela primeira vez num cinema, é a visão de uma criança em meio a uma guerra civil, Alana é a criança da sociedade adulta e superficial, Alana é a listrinha colorida do creme dental, é o nariz vermelho do palhaço, é a cereja do bolo, é a flor do deserto... Alana é um sentimento que está em cada um de nós." 
(Michell Marques)



2 anos

No meio de um dia; no meio de uma aula; no meio do amor... esse poema me chegou. 



terça-feira, 15 de abril de 2014

Revirando passados


Hoje eu abri o meu baú de saudades e encontrei ele ali, intacto, lindo- como sempre -"fazendo sala" pro passado que eu pensei ter enterrado no fundo do quintal da memória. Revivi em segundos todo aquele emaranhado de pensamentos que a saudade me causa, voltei a pé àquela estrada que ladrilhei com ele nos dias em que o Sol não saía de casa. Mas então, em ressonância com o timbre daquela gargalhada que eu lembrava mentalmente, veio o inverno. A voz dele, que tanto me acalmara e me livrara dos abismos do cotidiano, a voz que eu apreciara nas madrugadas a fio sem preocupação com o dia seguinte... aquela voz trouxe o inverno consigo e me congelou. 
Não sei definir se a saudade tem mais habilidade em machucar do que o inverno daquela voz do outro lado da linha. E do outro lado do mundo, eu soube que o amor e amizade caíram num labirinto de gelo e esquecimento, onde nem que eu me jogasse no foço mais profundo, alcançaria. O inverno atravessou meus ouvidos e dominou cada parte do meu corpo. O gelo- tão frio, mas quebrável ao menos toque -tomara conta de mim. E antes que qualquer balde de lágrimas fosse capaz de me derreter, tranquei novamente o baú. Preferi deixar aquele passado quieto novamente, pra não achar que pode fazer visitas sem avisar. Deixa ele lá. Agora sim, deságuo, até evaporar, deixando essa saudade fugir com o ar.

Texto publicado em 13 de junho de 2012, no Blog Palavreando

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Sobre coisas e materialidades

Me peguei pensando sobre a importância da não-materialidade-das-coisas e tive uma enorme vontade de te ligar. Eu sabia que me entenderias bem porque assim que tudo funcionava pra gente: a gente se ligava, falava sobre os grandes e pequenos problemas da humanidade, ria hum pouco, refletia, e terminava de sempre falando poeticamente sobre a gente ... de um jeito que eu nunca saberia explicar ou escrever. 
Pois é, mas voltando a falar das coisas não materiais e do quanto elas são importantes... Bem, a culpa é toda tua. Coloquei no aleatório da minha playlist e o que tocou? Uhum, a nossa música. A música que um dia tocaste em melodia e perguntaste o que eu achava, pra depois completar com uma letra linda e me dar de presente. Ah menino, sabes o que significou aquilo? Acho que sabes... Eu sempre fui a mais sentimental de nós, a mais boba, a mais envolvida por palavras. Me ganhaste com elas, te despediste por elas. 
Pensar sobre a importância da não-materialidade-das-coisas me faz ter uma saudade enorme de ti, da gente, daquilo que nunca foi um "nós" mas poderia ter sido, daquilo que eu costumo contar pras pessoas como um conto de fadas às avessas. A história de uma Ismália e um Pequeno Príncipe, será possível?
Olha que coisa, eu aqui de novo, dois anos depois da tua partida, me perguntando a mesma coisa de antes, de sempre.
Ah, menino, por que me lembras tanto da importância da não-materialidade-das-coisas? Por que ainda fazes tanto parte por toda parte? Por que ainda é tanto tu? Acho que a resposta é só uma, sem titubear: apesar de passageiro, és uma parte-não-material-das-coisas, do amor. 

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Regozijo



De todos os males, o riso é o pior.
O riso altera e trapaceia. Dribla. Exagera. O riso desaba, encharca. É enchente. É cheio de gente. O riso é enfático e chama atenção. O riso quebra. O riso é sem siso e sem juízo. Não tem regras.
Interrompe. Rompe. Descumpre. Descobre.
O riso é torto e mostra os dentes. Mostra as cores e as raças. O riso iguala. Multiplica. O riso une.
É arma. É escudo. 
E de tudo, o pior: o riso alegra.