domingo, 24 de maio de 2015

Olha só, moreno.




“Olha só, moreno
Do cabelo enroladinho
Vê se olha com carinho
Pro nosso amor
Eu sei que é complicado
Amar tão devagarinho
Eu também tenho tanto medo...”

Eu acordo e a primeira imagem do dia é teu rosto sonolento do meu lado. Os olhinhos apertados me fitam, entreabertos, enquanto esboças um sorriso doce, leve, lindo. Retrato de uma noite que a gente não entendeu bem se foi real ou só um sonho que a gente quis tanto que realizasse. Se me pedissem pra descrever a felicidade, provavelmente eu lembraria dessa cena e meu coração ia acelerar como se eu revivesse tudo.
Te amar é essa sensação estranha e boa demais pra ser verdade. É sossego no desespero, fogo na calmaria, guarda-chuva quando a tempestade não dá trégua. Para os adeptos da teoria dos “três amores na vida”, tu serias o terceiro... aquele que a gente vai vivendo e nem sente o tempo passar – porque agora o tempo é medido pela intensidade do que se sente - , aquele te permite ser quem é e te faz ver que ainda vale a pena enfrentar o medo. E pra mim, que esperei tanto por um amor que “não fosse sério”, tu trouxeste toda graça que faltava.
Te amar é como andar nas nuvens, embora isso seja um tanto clichê e ninguém nunca tenha andado pra poder falar, de fato. E talvez seja justamente por isso que a comparação é perfeita: porque esse amor é aquele tipo que a gente nunca viveu e só imagina como seria se fosse de verdade. O meu é. Te amar é abraçar todo tempo como se não fosse largar nunca mais; é ter a melhor companhia pra assistir filmes; é passar horas contando o que houve no dia, e no dia anterior, e no anterior... e em todos os momentos que não estavas comigo; é fazer planos mirabolantes e pensar em todos os meios de realizá-los; é carinho em excesso, sem nunca enjoar. Te amar é ter uma amizade que não comporta inveja. É um segredo que a gente guarda com gostinho e só conta pra quem vai entender bem esse “não sei o quê” que a gente sente. Te amar é não se incomodar com o silêncio e nem com os barulhinhos estranhos que a gente faz sem perceber.
Esse amor não tem flores, chocolates ou jantares caros. Mas tem um gosto de novidade todo dia, de romance em cada coisa, de simplicidade. Tem mensagem surpresa na madrugada e ligação de emergência porque a saudade ta grande. Esse amor tem a gente de um jeito só nosso e que ninguém precisa entender. E tem o “eu te amo” mais sincero que eu já disse.

"Eu sei o que tempo anda difícil
E a vida tropeçando
Mas se a gente vai juntinho
Vai bem"



sábado, 16 de maio de 2015

"É você..."

Ler ao som de "É você" - Tribalistas

Talvez tenha sido naquela primeira conversa despretensiosa em que eu não te dei muita atenção. Ou talvez tenha sido no meio das conversas sobre séries e HQs. Pode ter sido também nas primeiras trocas de olhares, no primeiro toque das mãos, ainda tímidas. 
Talvez tenha sido na primeira vez no cinema, ou talvez no meio da conversa séria. Talvez tenha sido nos sorrisos, sempre soltos, entre uma piada e outra. Talvez nas implicâncias constantes. Ou só nos apelidos carinhosos. Talvez tenha sido pela tua voz sussurrada no meu ouvido, ou pela leveza do teu toque. Talvez pelo modo como seguras minha mão e mostra ao mundo que não sou mais só eu ou só você, mas nós. 
Talvez seja pelo teu modo iluminado de ver o mundo, ou quem sabe pela tua fé nas pessoas. Talvez tenha sido pelo teu jeito de me olhar falando ou fazendo qualquer coisa banal. Quem sabe seja pelas semelhanças, ou pela alegria que me provocas. Talvez tenha sido no primeiro contato dos corpos... 
Talvez tenha sido quando disseste que me ama, ainda que disfarçando e negando depois. Talvez seja pelo modo como mostras que me amas...
Talvez seja por tudo isso. Ou por nada. Seria preciso um motivo pra eu ter certeza que és tu? 
Foste tu desde o início. Era sempre tu. Somente tu. E vai continuar sendo, enquanto o amor permitir.