Vai fazer 4 anos que você foi embora. Confesso que só vim me dar conta hoje desse tempo, quando me vi falando de algo que você adorava me falar. Então lembrei do seu rosto e de você por inteiro. Lembrei que passei outro dia na sua rua e que falei anteontem com uma amiga nossa em comum. Lembrei de varios pedaços daquele "nosso" ano, como flashes de uma vida que ficou pra trás. E só me dei conta disso tudo agora...
Durante pelo menos 3 desses anos, você ainda era... Você. Com todo o porte, importância e domínio dos meus pensamentos e sentimentos. Eu ainda lembrava de tudo com uma saudade gostosa daquele que eu chamava de "meu grande amor". Ainda contava a história que eu sempre chamei de nossa como se fosse um drama romântico digno de livro. E confesso que continuava adorando ouvir as pessoas admiradas com o tamanho do meu "amor" por ti (ou da minha burrice).
Nesses quase 4 anos, eu amei, namorei, viajei, escrevi, sonhei, até me formei... E você continuava ali, no cantinho do meu peito reservado a alguém especial demais.
Mas aí surgiu alguém. E ele foi entrando devagarinho e ocupando todos os espaços, bem como todos os textos de amor clichê dizem. No meio da ocupação, lembrei de falar de você algumas vezes, ele ouviu atentamente - como ouve a tudo que eu digo - mas não quis detalhes. Na verdade, ele nunca perguntou de você, nem pediu que eu terminasse a história. Pra ele, você era só mais uma página da minha vida que passou, porque o presente... Era ele.
Aos poucos, essa despreocupação dele tomou conta de mim. Ele me ensinou a sorrir mais e lembrar menos. Me mostrou que às vezes a memória é muito útil, mas outras é um acessório desnecessário quando se caminha pra frente. E hoje, enquanto falava daquilo que me fez lembrar de você, me dei conta de quanto tempo isso não acontecia. Que o "grande amor" já não parecia tão grande. E que a última vez que nos falamos, eu sequer tive vontade de te responder as perguntas de sempre. Na verdade, lembro que senti vontade de falar do quanto eu sou feliz com ele; de como ele me faz rir; do sorriso que ele tem que me deixa boba e de como as banalidades são bem mais interessantes quando to com ele. Mas eu não ia falar disso com você, não interessava. Era só mais uma conversa corriqueira depois de meses sem contato, e você só queria mesmo saber se eu ainda estava aqui, te "amando", esperando o menino poeta. E bem, eu não estava, não estou. A minha falta de vontade na última conversa é a prova... E o que escrevo agora é uma despedida. Um alô pra você saber que agora a "sua Ismalia" não é mais sua. Criou asas como sempre quis, e voou. Ainda não chegou à lua, mas todas as vezes que ele olha pra ela sem dizer uma palavra e sorri, ela sente como se chegasse cada vez mais perto. Ismalia está no céu, menino poeta. Cumprimentando as estrelas. Descobriu que pra amar não é preciso viver um drama romântico digno de livro. Mas é preciso experimentar a felicidade aos pouquinhos, saboreando cada pequena alegria, que ele vem proporcionando a ela.
terça-feira, 21 de julho de 2015
Você passou...
Assinar:
Postagens (Atom)