Ela o esperava com a porta do quarto
aberta e as roupas espalhadas no chão. O lençol na cama desarrumado
propositalmente, pra que parecesse casual. Não era, não para ela. A única peça
que ela vestia cobria os pequenos e grandes lábios já umedecidos desde que ela
desligara o telefone. Ele iria, dessa vez iria. A imaginação fértil fazia com
que o corpo dela dançasse sem música e as pernas se espremessem uma na outra
provocando um prazer sutil que só as mulheres entendem.
O interfone tocou. Ela pulou da cama
e mandou que ele subisse. Voltou para onde estava e o esperou, de costas, para
que ele não visse a boca tremendo de ansiedade. Só percebeu que ele cruzara a
porta ao ouvir o riso cínico quase sussurrado, provavelmente por ter visto as
roupas no chão e saber que ela o esperava “no ponto”. Não foi preciso muito pra
que os corpos se juntassem. Nenhuma palavra até ali. Ele deitou o corpo sobre
ela, sentindo cada músculo se moldar às curvas imperfeitas do corpo dela, levou
a mão e a boca até a nuca – o ponto fraco. Ela se contorceu e ele soube que
seguia o caminho certo, como sempre. Ele contornou com a ponta da língua cada
traço da orelha dela, até que ela lhe virasse o rosto pedindo – muda – um beijo.
Os lábios se tocaram, famintos, com
tanto desejo guardado que já não sabiam como consumir. A respiração forte dos
dois vinha no ritmo dos batimentos cardíacos. Enfim, no intervalo entre um
beijo e um toque, uma palavra: chupa. Obediente, ele desceu a boca sentindo os
pelos da silhueta dela arrepiarem. Por cima da lingerie minúscula, ele sentiu
prazer em fazer o resto do corpo dela dançar ao intercalar beijos e mordidas
sobre o monte de Vênus. Delicado, mas não menos faminto, se livrou do tecido
que o impedia de seguir as ordens dela. Por alguns longos minutos, brincou com
a língua e os dedos de todos os jeitos naquele terreno que era só dele. Ela
gemia e ele se afogava entre as pernas dela.
No auge do prazer dos dois, ela o
segurou pelos cabelos até que o corpo dele cobrisse o dela e sussurrou com a
voz trêmula que queria ser dele. Ela já era. Desde o primeiro beijo, trocado em
uma volta de ônibus; desde o primeiro telefonema que durara mais que o
necessário para um relacionamento “sem compromisso”. Ele a queria. Como um leão
deseja agarrar sua presa. Era carne, corpo. Mas era mais que isso também, ele
só ainda não sabia.
Ao se livrar da roupa que ainda
cobria o símbolo da masculinidade, não foi preciso mais nada, ele já sabia o
caminho. Penetrou aqueles lábios com o pênis e sentiu o corpo dela estremecer.
Dali em diante, o ar faltava, e o desejo aumentava. Sexo. Dois corpos satisfazendo
os desejos um do outro. As mãos estavam dadas, como outrora, embora não mais
trocando carícias, mas o toque firme de quem quer compartilhar cada sensação de
prazer mútuo. Gemidos. O gozo. O segundo que vale por todo o resto, em que
corpo e mente perdem o controle.
E então, depois de alguns segundos
de descanso, ela se encontrava sobre seu travesseiro favorito – o colo dele.
Sentia as pontas dos dedos que há pouco a fizeram delirar percorrer o braço no
sentido de ida e volta. De quando em vez trocavam um meio-abraço mais apertado,
um olhar carinhoso e um leve toque dos lábios.
Numa das trocas de olhares, ela achou que era hora. Olhou firme naqueles
pequenos olhos que a miravam com ternura e disse, sem pensar, as três palavras
temidas: eu te amo.
Em seguida o que se viu pareceu ser
um sorriso de canto de boca, um rosto avermelhado, e o resto de um dia arruinado.
O quarto, ainda cheirando a sexo, despedia-se daquele que não sabia o que
dizer. Ele se foi.


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