Ela tem olhos amendoados como os meus e um sorriso que remete a uma alegria doce e infantil. Ela tem energias boas. Muito boas. Tem um andar leve e um ar atencioso como nunca vi. E ela sabe ouvir, aliás, diria que é a melhor ouvidora do mundo (sim, porque em se tratando dela nada tem escala menor que o mundo, o universo e tudo mais). Digo isso porque mais do que ouvir, ela é capaz de escutar: com ouvidos atentos, olhos semicerrados, boca fechada e postura preparada. Ela te escuta com todos os membros pra saber exatamente o que dizer depois. E sempre sabe o que dizer.
Ela tem o nome que um dia quero dar a uma filha, embora para mim ela seja meio mãe. No grego, o nome quer dizer "sabedoria" - algo que ela tem de sobra, mesmo com alguns anos a menos de vida que eu. Mas afinal, o que são alguns anos de vida para alguém que essencialmente vive? É provável que você não entenda o que quero dizer com isso, seriam precisos alguns meses de convivência diária com o sorriso e os conselhos dela. Mas, a verdade é que... essa moça, sabe lá de onde veio, traz esperança à vida, porque de algum jeito que não tem receita ou fórmula pronta, ela vive... absorve a vida, ela sabe que cada gota de chuva transmite uma sensação diferente e cada rajada de vento é capaz de mover uma folha do lugar. Ela sabe que os raios do sol não queimam se você souber dividir bem o espaço com eles. Sabe que uma vírgula é capaz de transformar todo o sentido de uma declaração. Sabe que banhos de chuva fazem bem pra saúde se você se secar direitinho depois. E sabe que o amor vale a pena, mesmo se for preciso enfrentar alguns percalços pra que ele dê certo.
Essa moça, que sabe tanto das coisas e faz tão bem por onde passa, bem que podia fazer morada por aqui, bem pertinho. Mas passarinho precisa voar, descobrir, cantar em outras freguesias de vez em quando. E sendo assim, quisera eu que todos pudessem ouvir o canto de Sofia.
