Eu sou de uma geração em que garotas entre 12 e 15 anos
sonhavam em encontrar o príncipe encantado. Não, não to falando do cara loiro,
alto, dos olhos azuis, estilo ator americano. É o príncipe mesmo, fino, rico e
educado, montado no cavalo branco que vem pra mudar completamente a sua vida e
viverem felizes para sempERROR.
De todos os clichês baratos, esse é o pior e mais claro:
príncipes não existem. Enxuguem suas lágrimas e enxerguemos a realidade. Mas,
para boas sonhadoras como nós (e aqui me incluo completamente nesse bolo), não
é porque não nascemos Cinderela que não temos direito ao sapatinho de cristal,
certo? Certíssimo.
Por termos certeza disso, passamos a vida procurando em
todos os personagens de contos de fadas aquele que trará o sapatinho que vai
encaixar perfeitamente em nossos pés, mas acabamos muitas vezes com os pés
descalços cheios de calo no final das festas. Tudo gira em torno de uma premissa
muito proferida pelas solteiras bem resolvidas: enquanto não encontro o homem
certo vou me divertindo com os errados. Mas afinal, se não existem príncipes,
quem são esses homens certos e errados? Boa pergunta, não dá pra saber.
Você só sabe que o seu vizinho tem um jeito lindo de dizer “Boa
tarde”, que o colega da fila do lado na escola tem o olhar 43 mais sexy do
mundo e que o seu melhor amigo é o tipo de cara com quem você se casaria –
porque era o único que ia aguentar todas as tuas loucuras. Bem, caindo um pouco
mais na realidade, posso dizer que há quase 3 meses estou vivendo um conto de
fadas, às avessas, óbvio. Encontrei via cantadas clichês e desinteressadas
aquele que de príncipe não tem nada, mas é capaz de acabar com minha armadura
ao sorrir pra mim. Ele não chegou no cavalo branco, não me deu beijo de cinema,
sequer me olhava com cara de encantado. Ele só é um cafajeste menos cafajeste
que muitos outros. Ah, e tem o sorriso mais lindo que eu já vi.
Não preciso dizer que não faltaram pessoas dizendo “sai
dessa, ele não presta”, ou “amiga ele só quer te usar”, talvez eu só quisesse
ser usada também ou talvez quisesse descobrir se realmente a impressão das
pessoas era certa ou errada. Até agora todos erraram. Ele não tentou me levar
pra cama na primeira semana nem saiu por aí falando o quanto eu sou boa ou
ruim. E aí que mora o encanto dessa história (boba) toda: fui eu que cheguei
nele, eu que construí o cenário e encaixei o sorriso na minha rotina (eu já
falei sobre o sorriso dele?). E tudo se tornou tão leve, tão fácil, tão
simples. Pela primeira vez eu só senti a emoção e o encanto do baile, e não o
sofrimento da gata borralheira.
Aí os medrosos vão continuar dizendo “querida ele não é
príncipe encantado”, “acorda, essa capa de bom moço vai cair”, “procura algum
que te mereça”. E eu, me equilibrando nos sapatinhos de cristal e no vestido mais
lindo, pergunto de volta: quem disse que eu quero um príncipe encantado (já que
eu sei que nem existe)? Quem falou que ele precisa de elegância, dinheiro ou
qualquer coisa pra ser simples e sincero? E, bem, eu não sei se ele me merece,
quem pode julgar isso? Mas eu sei que eu mereço as tardes mais alegres que ele
me proporciona, o carinho intenso e sem “intenções”, as conversas sobre a
infância e a sensação de que voltei aos 15 anos e to vivendo uma linda aventura,
que há de ter um fim, mas nem por isso vai deixar de ser feliz para sempre.
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