Ler ao som de"3x4"- Engenheiros do Hawaí
Tu me chegaste como um presente. Desses que alguém, sem
avisar, manda entregar na tua casa sem cartão ou assinatura do remetente.
Vieste com todo o mistério e expectativa que um presente vem, sem falar na
sensação de “o que será que tem aí?”. Tua embalagem era/é linda. Sem grandes
enfeites, mas de uma beleza singular que me fez ficar vidrada e não saber como
parar de olhar.
Tu tens cheiro de felicidade. Um aroma não tão doce quanto o
das flores, mas tão eficiente quando o quesito é me fazer sorrir. É isso que
provocas quando te aproximas... sorrisos. Involuntários. Basta olhar pro teu
esboço de sorriso no canto da boca e os olhos semicerrados naturalmente, pra
querer te acompanhar na alegria, no sorriso, na felicidade que tu transbordas.
Tu tens gosto de chocolate quente nas manhãs chuvosas de
janeiro. Saboroso. Não tenho uma explicação plausível pra isso, mas já
experimentou acordar naquele friozinho debaixo das cobertas, com a sensação de
que nenhum músculo consegue funcionar? E então o chocolate quente vem e te
aquece do corpo à alma, alivia o frio e te esperta pra ver que o céu nublado
também é lindo. É esse sabor que tu tens.
Tu tens alma de um senhor maduro e sábio no corpo de um
jovem rapaz cheio de energia (ou não tão cheio assim). És o tipo de pessoa com
quem se pode discutir os problemas da humanidade, a política, o lanche da
tarde, a chuva, ou qualquer banalidade da vida. Tu pensas, com corpo, alma e
sentimento. E também sabes que a oração dos sábios é o silêncio – obrigada por
me ensinar isso.
Mas tem coisas sobre ti que eu não queria dizer. Não contei nem
pro espelho. É que tu tens mania de me olhar nos olhos e dizer coisas que me
deixam meio pálida, perdida, esquecida de como faz pra falar de novo; gostas de
ficar parado uns instantes só olhando pra esse rosto meio torto que eu tenho e
isso me deixa sem saber o que fazer; tens a habilidade incrível de me
surpreender com a leveza do teu ser; sabes exatamente como me deixar com cara
de boba e adoras fazer isso; tens um jeito tão simples de ser, que é impossível
não achar que tu és meio irreal; fazes tantas piadas idiotas que eu já perdi a
conta; tu sabes exatamente como quebrar meus argumentos (e isso não se faz); tu
me tocas de um jeito tão teu que é capaz de provocar arrepios todo tempo. Eu
não contei isso a ninguém por medo que se repetisse o que se deu comigo. É que
esses são teus erros, teus defeitos, as partes de ti que me fazem tentar te
odiar um pouquinho a cada dia. Tentativa inútil. “Dizendo a verdade ao menos
uma vez na vida... eu me apaixonei pelos teus erros”.
