quarta-feira, 30 de julho de 2014

Vício ou virtude?


Eu sou uma pessoa terrivelmente viciada. Ah, vai dizer que não me entende? Todo mundo é viciado em alguma coisa. Tem os viciados em vídeo game, aproximadamente entre os 12 e 17 anos, mentais ou físicos; os viciados em séries, nos quais eu me incluo; os viciados em arrumar a casa, um vício que eu adoraria ter; os viciados em ouvir música alta, o que não combina nadinha com a saúde dos ouvidos; os viciados em internet, uma categoria bem comum da atualidade; os viciados em mentir, esses precisam de tratamento; os viciados em nutella, e aqui eu me incluo totalmente; e as pessoas como eu: viciadas em tanta coisa que é difícil até contabilizar.
Como eu já disse, sou uma viciada em Nutella assumidíssima. Também sou viciada em séries. Viciada em comer gelo, em celular, em coçar no nariz, em sorine, em copiar frases e textos fofos pra posteridade, em falar bobagens, em chorar em comédias românticas idiotas, e em mais um milhão de coisas. Mas principalmente, eu sou viciada em me apaixonar. Os super racionais vão achar graça e me chamar de patética, e eu sou mesmo, mas esse é meu modo de viver. À parte uns instantes o que eu entendo de psicologia, acho que os vícios são a forma que a gente encontra de lidar com a vida, seja pra fugir de algo, seja pra anestesiar os sentidos e ficar mais leve pra tomar as decisões pesadas. São coisas que parecem ser boas pra gente, de algum jeito, e precisamos repetir, sem nos dar conta do quanto já precisamos daquilo.
A paixão funciona assim pra mim. Eu preciso sentir as batidas aceleradas do coração, o suor frio, a incerteza da reciprocidade. É uma necessidade. Me apaixonar me deixa viva. Talvez eu me exponha demais desse jeito, talvez eu sofra mais vivendo assim, ou talvez eu apenas me permita. Me permita olhar pro outro e me encantar com a forma como ele tira uma poeira do rosto, me permita descobrir as pessoas, as coisas, decifrá-las, observá-las, senti-las. Porque se apaixonar é isso, não? É o seu corpo reagindo a novas descobertas no corpo do outro, nos olhares, nos movimentos, nas conversas que, por mais banais que possam parecer, se tornam motivos de sorrisos largos, é seu corpo liberando adrenalina para aquilo que desperta teu desejo, seja humano ou seja objeto. E tão intensa como começa, a paixão termina. Com ou sem choros, fica um vazio, uma sensação de que falta algo... e não é “alguém”, é algo mesmo... é um livro que terminou, são as férias que passaram, é aquele cara que parou de te responder ou te ligar, é a garota que se mudou do seu prédio, da sua rua, é a comida que você ama e não tem mais, é a viagem que durou menos tempo do que devia, é a amizade que se desfez,... é a paixão, que já não ta mais ali pra te acompanhar, pra te fazer vibrar, chorar, ascender ou desabar no chão frio do teu quarto.

Mas, como tudo na vida, passa. O vazio logo é preenchido com um novo acelerar do coração e olhos brilhando. Com novas perspectivas, novos sonhos, novos planos, novos textos... Quer saber? De todos os meus vícios, esse é o que me dá mais gás, mais tesão na vida, mais aventura. Afinal, como diria Voltaire, “as paixões são os ventos que enfunam as velas dos barcos, elas fazem-nos naufragar, por vezes, mas sem elas, eles não poderiam singrar”.