quarta-feira, 12 de março de 2014

P.S.

"Ela é como uma carta de amor" - foi a ideia que me veio em mente quando me indagaram. 

Em seguida, lembrei do poema de Pessoa que diz "todas as cartas de amor são ridículas"... Ora, e por que não? Ser ridículo, afinal, é não seguir convenções. Assim ela é. 

Uma carta de amor escrita ao pé da árvore, sentindo a brisa... quando de repente, um pingo de uma chuva passada cai das folhas sobre o papel. Ele enrijece um pouco, mas a fricção com a caneta suporta.

Andando, ela é uma nuvem que forma desenhos... Ela flutua. Brinca com o chão como se não houvesse limites para caminhar com seus minúsculos pés em um solo imaginário. No fim das contas, o chão de verdade é lugar pra quem não tem a mente grande como a dela. Ela não tem jeito. Desajeito. 

A menina que parece uma carta, que tem muito de amor, que é tranquilidade e paz, entrou pela minha porta e irradiou a alegria aos meus dias. Contrastou com meu "mundo da lua", trouxe à tona a infância dos meus problemas, me fez sorrir uns porcento a mais. 

Mas eu sei que, como o vento, ela vai passar. Gente como ela não pode criar raiz num solo só, precisa desfilar o mundo saindo do lugar, criando novos lugares. A mim, resta guardar esses dias de sol na lembrança, quem sabe um fio dos cabelos cor de fogo baixo. Ou tentar segurar o cheiro de papel de carta num vidrinho colorido que eu abra de quando em vez pra sentir de novo toda essa mistura tranquila que ela me traz. 

Inspirado livremente na "carta de amor" dona do blog De boa com Débora