domingo, 16 de março de 2014

Minúcias


Gosto de saudade. Aperta o peito e fica entalado na garganta. Te faz suspirar, lembrar, viajar. Depois de muito esforço sai em forma de lágrimas e sorrisos descontrolados. É agridoce.
Desde que ele chegou a vida ta meio assim... Ele me pintou sorrisos e me ofereceu um lugar na escada. Eu subi e a garganta começou a engolir em seco. Estranho essa coisa de sentir alguém – você de repente se depara com um gosto na boca, um gosto sem nome e que só cabe em uma única língua. Gosto de saudade, pois é.
Gosto de algo que já devia estar ali e sabe-se lá porque não estava. Gosto de chuva passada. Gosto de reticências. Gosto de coração acelerado. Gosto de primeiro dia de aula. Gosto de corações que se conhecem mesmo à distância. Gosto de lágrima caída. Gosto de olhos que sorriem.
É, ele tem gosto disso tudo, mas resumido num gosto só. Ele é capaz de me fazer feliz por estar perto e por ficar bem. E nem precisa saber disso, porque talvez perdesse a graça. Ele sabe, no fundo sabe. Eles sempre sabem.

Suspiro. Lembro. Relembro. A garganta entalou, umas lágrimas se formaram na minha canoinha embaixo dos olhos – o que, por sinal, ele tem igual – e o gosto de saudade bateu forte na boca. Pois é, ele chegou.