Gosto de saudade. Aperta o peito e fica entalado na
garganta. Te faz suspirar, lembrar, viajar. Depois de muito esforço sai em
forma de lágrimas e sorrisos descontrolados. É agridoce.
Desde que ele chegou a vida ta meio assim... Ele me pintou
sorrisos e me ofereceu um lugar na escada. Eu subi e a garganta começou a
engolir em seco. Estranho essa coisa de sentir alguém – você de repente se
depara com um gosto na boca, um gosto sem nome e que só cabe em uma única
língua. Gosto de saudade, pois é.
Gosto de algo que já devia estar ali e sabe-se lá porque não
estava. Gosto de chuva passada. Gosto de reticências. Gosto de coração
acelerado. Gosto de primeiro dia de aula. Gosto de corações que se conhecem
mesmo à distância. Gosto de lágrima caída. Gosto de olhos que sorriem.
É, ele tem gosto disso tudo, mas resumido num gosto só. Ele
é capaz de me fazer feliz por estar perto e por ficar bem. E nem precisa saber
disso, porque talvez perdesse a graça. Ele sabe, no fundo sabe. Eles sempre
sabem.
Suspiro. Lembro. Relembro. A garganta entalou, umas lágrimas
se formaram na minha canoinha embaixo dos olhos – o que, por sinal, ele tem
igual – e o gosto de saudade bateu forte na boca. Pois é, ele chegou.