quarta-feira, 17 de junho de 2015

Felicidade?

Felicidade?
Disse o mais tolo: "Felicidade não existe".
O intelectual: "Não no sentido lato".
O empresário: "Desde que haja lucro".
O operário: "Sem emprego, nem pensar".
O cientista: "Ainda será descoberta".
O místico: "Está escrito nas estrelas".
O político: "Poder".
A igreja: "Sem tristeza, impossível. Amém".
O poeta riu de todos, e, por alguns minutos, foi feliz. (Fernando Anitelli)



Feliz aquele que sabe o valor de pequenas coisas. Pequenas mesmo, miúdas, banais, desimportantes. É isso: coisas desimportantes. Feliz aquele que guarda mais na memória do que no armário ou nas redes sociais. Aquele que entende o poder de alguns rápidos minutos diante dos outros tantos que formam um dia. Feliz aquele que ainda tem o brilho nos olhos e no sorriso e uma energia de dar gosto.
Felicidade é um trocinho difícil de falar né? Tem gente que acha que é passageira e outra gente que acha que é permanente. Vai saber. Pra mim, felicidade é uma coisa desimportante. Pequena, banal, quase invisível. Porque coisa importante é conta pra pagar, remédio pra tomar e trabalho pra entregar. Importantes são as notícias do jornal da noite, a crise financeira e as desigualdades. São todas as coisas que deixam a cabeça borbulhando e os músculos saltando do corpo. É o que a gente discute no jantar ou na fila do banco, são os assuntos de debates em sala de aula e de bate-boca na internet.
Felicidade, não. Como qualquer coisa desimportante, a gente nem percebe quando ela aparece. Pode durar dois segundos ou uma vida inteira; pode surpreender ou ser aguardada; às vezes tem nome e sobrenome, outras vezes não tem nem sinal de onde vem. Coisa desimportante assalta a gente das coisas importantes. Faz a gente rir sem motivo e ficar levinho, como uma folha de papel em branco pedindo pro vento escrever nela. Coisa desimportante surpreende, acende o coração e a alma pra coisa boa. As desimportâncias não tem vergonha, julgamento, preconceito ou regras. Só são desimportantes...

Mas a gente, desse mundo, só se importa mesmo com as coisas importantes. Porque elas gritam, elas acenam e chamam mais atenção que a felicidade, por exemplo. E enquanto a gente ta lá, batendo martelo sobre a importância de uma ideia, vão passando na nossa frente um tanto de coisinhas miúdas, bobas, banais, que quase não querem dizer nada. Quase. Porque as desimportâncias têm muito a dizer. A felicidade é tagarela também e fala por si só. Mas ultimamente ela fala sozinha, porque os ouvidos ficam muito ocupados com as importâncias da vida...