Entramos de mãos dadas naquele que sempre foi um dos meus
lugares preferidos em um shopping, a livraria. Olhei em volta, cruzei a vista
com outros leitores que ali estavam como eu, sempre procurando algo que não se
sabe bem o que é, aquilo que chamar atenção. Mas de repente, me deparo contigo
distraído com uma HQ na mão. Encantado. Encantador. Teu perfil me parece tão
familiar e distante ao mesmo tempo. Observo cada traço... os sinais espalhados
pelo teu rosto, a barba por fazer, os cílios que eu daria tudo pra que fossem
meus. Observo tuas mãos, macias e certas do que querem, dessa vez segurando
firme não minha cintura ou meu rosto, mas aquela edição encadernada que já não
lembro qual era. Teus olhos brilhavam. Ah, como é lindo o brilho dos teus
olhos, ainda que de perfil. Como é lindo o traço que eles fazem quando sorriem...
sim, teus olhos sorriem e dizem coisas lindas. E eu assumo meu papel de babona
observando o tracejado mudar a cada expressão diferente, um entreaberto, um
arregalado ou fechado por timidez.
Em seguida parece que alguém te cutucou e percebeste que eu
tava em outro universo enquanto te olhava. Esperto como és, entendeste tudo. Me
olhaste de volta com aquele olhar que toda mulher queria poder fotografar só
pra repetir a sensação de ser única mais vezes. E um esboço de sorriso surgiu,
devagar, quase que engatinhando... sentindo o gostinho de cada parte de sorrir.
Eu, te olhando mais profundamente do que fixamente, saboreei cada segundo
daquela hora. Teu sorriso e as covinhas mais lindas do mundo inteiro estavam
ali, me lembrando do porquê tinhas te tornado mais interessante que os livros
aquele dia. Me peguei sorrindo contigo, involuntariamente. E nossos sorrisos,
nossas mãos e nossos lábios se encontraram. O coração ali já batia mais forte
e, paradoxalmente, mais leve. Vai ver se apaixonar é isso... essa mistura louca
de êxtase e paz que eu descobri enquanto te observava. Vai ver aquilo podia ser tanta coisa, ou não passar de mera casualidade.
