segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Se há um "melhor", que seja ele.



E então ele me arranca uma risada gostosa, suculenta, de tirar o fôlego. Como sempre, com alguma piada infame e sem graça alguma. Mas a habilidade de me tirar da neblina dos pensamentos com aqueles comentários toscos é só dele.
Eu olho em volta e caio em mim sobre o quanto aquele ser patético me conhece, mesmo na rotina distante, ele não precisa me olhar nos olhos pra saber quando as coisas estão bem ou não. Ele sabe, sempre sabe. Ele entende cada pedaço torto do meu corpo e é capaz de dizer que eu to linda mesmo com o cabelo desgrenhado, a roupa amassada e muito acima do peso. Pra ele pouco importa se eu sigo os padrões de beleza ou da moda; eu não sou a ruiva que deixa ele louco, não tenho a covinha pela qual ele sempre foi apaixonado, não tenho as pernas que o fazem revirar os olhos, não sou a mais feminina e sequer faço o tipo da mulher da vida dele. Mas aos olhos dele eu sou linda, sexy e “daria um caldo”, tudo na brincadeira, é claro.
Além de tudo, ter o melhor conselheiro amoroso ao seu dispor não é pra qualquer uma. Sim, eu tenho. Tenho conselhos sinceros, claros e objetivos; apoio às burradas também e lembrança que não sou a única idiota do universo se me apaixonar por um babaca. Tenho alguém que aguenta minhas crises, minhas loucuras, meus momentos adolescentes e meus discursos amadurecidos sobre a universidade e a política. “Tenho”. Que forma mais possessiva/louca/infantil de tratar alguém. Não, ele não é um objeto. E não, não sou possessiva com ele (não até hoje, pelo menos), mas é que repetir que eu “o tenho” é como confirmar pra mim todos os dias a sorte que eu tive esse ano de encontrar ele.
A minha sorte se deu numa manhã das primeiras semanas de aula. Mas é como se fosse ontem. Eu de saião, um sorriso enorme no rosto e toda energia do mundo pra receber aquele “novato”; ele com a bermuda quadriculada de sempre, uma timidez incomum e o ar sonolento. Sim, não vamos negar, ele reparou nos meus peitos (foi ele quem me disse), mas isso pouco importa. Dali em diante não era mais só eu, nem era mais só ele. Tínhamos um ao outro. Evoluímos de áudios de 15 segundos para 5 minutos. Desabafamos, compartilhamos, choramos e rimos muito. E em um dos dias mais importantes, ele estava lá, dizendo novamente “você ta lindona” e “foi muito bom, eu adorei te ver e só lamento não ter te conhecido antes”.

Lágrimas me escorrem dos olhos quando falo ou escrevo sobre ele, mas sempre acompanhadas de sorrisos. Porque ele é bem isso: sorrisos. Sorrisos leves, sorrisos de tardes em que o sol não é tão quente e o vento faz uma visita gostosa. Ele é meu presente diário, minha descoberta desse ano, meu baú de tesouros. Meu cúmplice. Meu parceiro. Meu confidente. Meu amigo. Aquele que tem a melhor parte de mim.