Amar não é proibido. Não causa bronquite nem risco à vida.
Não tem contraindicações nem manual de instruções. Não precisa de receita
médica ou de certificado de garantia. Amar é precipitar-se. Precipício. É
correr risco sem saber no que vai dar. Amar acontece. Numa viagem a trabalho,
numa fila de cinema, ao dobrar a esquina, numa conversa descompromissada, no
meio da chuva, nas férias, na sala de aula, nos bancos de praça, no meio da
amizade, na aula de dança, num acidente de estrada, nas comédias românticas, no
ônibus, na mesma rua, na volta pra casa, nos nossos sonhos. No meio da rotina
abarrotada o Amor chega e te dá um “bom dia”, um aperto de mão e sai andando
normalmente, como se nada tivesse acontecido. Brinca de pira-se-esconde e te
faz esperar um beijo roubado que talvez nunca chegue. Envia cartas. Faz piadas
sem graça e te faz morrer de rir. O Amor faz parte. E faz arte. E então some em
busca de outra companhia e te sobram as lágrimas. Tentam te convencer que não
era o Amor, que era outro disfarçado pra te confundir. Porque parece que o Amor
tem que ser perfeito, e parece que perfeito tem que durar para sempre. Parece que
o Amor é criminoso se descobrir que pode ser mais curto, pode querer ir embora,
visitar outros mundos. O Amor, no fundo, não nasceu pra ficar parado num lugar
só. Não nasceu pra se fechar em 4 paredes e alguns dias divertidos. Amar, não é
proibido, mas vicia.
