domingo, 7 de setembro de 2014

Sabe, meu bem

Eu ainda não te disse, mas você tem cheiro da manhã nublada e gosto de gota de chuva do dia anterior. Tem nos olhos a marca da ressaca de amor e no sorriso um traço doce que me lembra o mel que eu uso pra adoçar o meu café. Ah, e você  gosta de café. Tanto quanto eu.  E também gosta de Chico e Caetano e de madrugar falando dos problemas e banalidades da vida. Cheira a sabonete e a suco de limão, que eu adoro por sinal.
Você chegou e os botões desabrocharam, anunciando uma primavera fora de hora, em pleno inverno do meu coração. Degelar alguém deveria ser crime no mundo em que eu vivo. Mas vai ver não é porque alguém como você não pode ficar preso, precisa mostrar ao mundo as delícias de se viver nele, como fez comigo. Você quebrou minhas correntes e derreteu a Sra. Alasca, há tanto acomodada em seu castelo de neve. Trouxe consigo um mar de risos e invadiu meu castelo deixando no caminho pequenas alegrias, como o pão espalhado por João e Maria, pra não se perder quando voltar pra casa.
E aí chegamos ao ponto principal disso tudo... Você bem que podia não voltar. Ficar por aqui, ta cheio de espaços. Meu castelo é grande o suficiente pra você e essa primavera toda, para as flores e os sorrisos. Você pode até dividir o meu lanche e os meus livros, ouvir meus discos e se embalar na minha rede, repleta dos meus sonhos. Você pode trazer muito queijo que eu faço chocolate queimado pra acompanhar. E embalaremos as noites ao som de Caê.

Só não derrete meu gelo inteiro pra deixar a água por beber, escoando num mar de saudade. Deixa eu ser a chuva pra você secar, o teu brinquedo, o teu pião, o teu bicho preferido. Vem, me dá a mão, contigo eu já não tenho medo. Vem, eu fiz café. Para dois.