- Tchau
- Tchau. Até qualquer dia.
- É, quem sabe.
E assim, numa conversa corriqueira, na espera do metrô, numa
fila de banco, na ligação da manhã... o amor acaba. A experiência me permite
contradizer os poetas que dizem que o amor é para sempre. Ele até pode ser para
sempre. Até o para sempre acabar. Cruel ou não, todas as coisas, das mais
lindas às mais desagradáveis, têm prazo de validade. Pode ser amanhã ou depois,
ou no Natal, ou quem sabe daqui a 20 anos. Mas quando chega a hora, não tem
“chove não molha”. Apenas acontece. Você dá a última olhada para trás e vê que
acabou. Dali a uma semana, ou mês, sabe lá, aquela cena vai se repetir em forma
de lembrança. E quando isso acontecer talvez você chore, talvez você ria,
depende do seu modo de lidar com despedidas. Mas, acredite, uma hora ou outra
você aprende a lidar. E você aprende também que não é porque acabou que não foi
feliz, que não valeu a pena. Parafraseando Vinícius, toda chama se apaga, mas
enquanto acesa, é infinita.
Amor acaba, sim. Quando menos se espera ou apenas quando é
preciso. Acaba e te deixa meio pateta por um tempo, pensando onde foi parar
tudo aquilo que há pouco estava ali. Deixa as pernas bambas e a cabeça confusa,
porque amor também acostuma. Como fazer com todas as tardes embaladas em
carinhos e promessas? E o vazio do telefone que não toca antes de dormir para
desejar boa noite? Onde foram parar os risos, as brincadeiras, o “perfeitos um
para o outro”? Acabou. Sim, acabou. The end. Abre uma caixinha e coloca tudo
dentro, das fotos às lembranças, dos presentes aos sentimentos. Deixa lá,
quietinho, enquanto o coração ficar remexendo o passado e tentando se virar,
trôpego, pelo presente.
Depois de um tempo, dias ou meses, a gente recupera a
caixinha do fundo do baú, abre a tampa só um pouquinho e tira um punhado das
coisas boas que ficaram ali. Como a caixa de Pandora, não deixa escapar a
esperança, porque quando abrir a caixa um novo amor está por vir.
