segunda-feira, 12 de maio de 2014

Pães

Quando eu tinha em torno de 7 anos ela me surpreendeu com um bouquê de rosas. Eu estava radiante e ela emocionada, entrei em casa com lágrimas nos olhos porque além da felicidade de ter realizado um sonho,ela teve orgulho de mim. Era minha primeira apresentação de dança, minha primeira superaçao.
Quando eu tinha 2 anos de idade ela me escolheu. Desde bem antes ela tinha escolhido, claro, mas nesse tempo ela escolheu de novo, confirmou perante tudo e todos que nao importava o que houvesse, seriamos nós duas, para o que desse e o que viesse. Fomos. Somos.
Aos meus 17 choramos juntas. Ela me olhou com os olhos brilhando de quem acima de tudo acreditava em mim, enquanto eu chorava em desespero achando que a reta final tinha chegado e eu tinha derrotado... como sempre, ela estava certa. Ela sorriu gritando entre os dentes a felicidade obvia do dever cumprido, enquanto isso me abraçava e dizia "voce passou, filhaa!!!". Era Letras. E eu tive a graça de poder dizer sempre pra todo mundo que ela me apoiava.
Nos meus 20 anos, perco a conta de vezes que ouço como somos parecidas.. de jeito, de aparência, de talento. É, eu confesso que pra ela sempre costumo dizer que só puxei os defeitos - às vezes é difícil admitir que nem todos os defeitos que se tem derivam de alguem - mas a verdade é que de tudo que eu mais admiro nela, o que mais me orgulha ter resquicios de herança é a determinação.
Ela nao usa capa nem armadura, mas é mais forte e poderosa que qualquer mulher maravilha.
Ela me aguentou por 20 anos e fez o que pôde - e o que nao pode tbm - pra deixar uma sementinha boa dentro de mim. Ela escuta meus desaforos e suporta minha distância, ela carrega o peso das minhas lágrimas e ainda assim consegue ser minha "fã". Ela me ensinou as melhores e piores coisas da vida. Me protegeu, e me fez saber lidar com o mundo. Foi meu papai noel, e a fada do dente. E ainda é criança junto comigo no dia 12 de outubro.
Ela me ensinou que todo mundo é igual e me fez ver, desde pequena, que amor é sempre amor, independente de cor, raça, credo, condição social ou sexual; ela me mostrou que familia nao tem tamanho certo ou quantidade estipulada; me provou que pra ser pai precisa bem mais do que ter um gogó ou ser o machão; ela me ensinou que nao se deve dar o peixe, mas ensinar a pescar; com ela eu aprendi a pensar. Eu li. Escrevi. Questionei. E chorei ao escrever essa carta/depoimento/texto ou sabe-se la.
 Ela tem o coração do tamanho do amor, e de fato, se tem uma coisa que elas estão sempre e super certas é que a gente so vai entender que amor é esse quando estivermos no lugar delas.