quarta-feira, 7 de maio de 2014

Alone.



Ele tem olhos de quem tem muito a dizer, mas perdeu as palavras porque as jogou no caminho de casa tal qual migalhas de pão, com medo de se perder. Meio João, meio Maria. Ele parece solidão, mas me lembra euforia... tem cheirinho de fim de festa, de resto de bolo, de balão estourando, de roupa suja de coca, de brigadeiro espalhado, de marmita que a gente leva pra casa pra comer com café no dia seguinte. E como ele combina com café!
Ele tem um jeito bonito de ver as pessoas. Ele diz que eu tenho gosto de felicidade. E eu digo que ele sou eu, e eu sou ele. Hoje ele me agradeceu, sabe-se lá por que e me arrancou uma lágrima que caiu gargalhando - poucas pessoas conseguiram isso. Mas a gente não tem que agradecer por cativar as pessoas. A gente é pros outros um reflexo do que são pra gente. Ele me ensinou a ser ele, eu o ensinei a ser eu. A gente aprendeu a caminhar junto, tornamos nossas diferenças oportunidades de invadir o novo... a gente se deixou amar. Ele, do jeitinho quieto de quem não tem muitos amigos, consegue trocar uma vida comigo pelo olhar. Eu, do meu jeito tosco e dramático e exagerado de quem precisa sempre de um colo, encontrei nele o meu abrigo, o meu afago. Ele é meu protegido e minha segurança. É a paz da minha confusão interna. Sem querer ser pretensiosa, mas pra falar dele me arrisco a embaralhar as palavras de Lispector e dizer "Ele faz de uma borboleta uma epopeia. E é inortodoxo". 
Ele sou eu, eu sou ele.